Quem é que já não levou um fora , daqueles de te fazer querer sumir por anos . eu tinha 17 anos quando estava levando um dos meus foras , lembro como se fosse ontém, era um dia de semana e eu havia pedido pro meu pai pra que eu pudesse ir em um barzinho com minhas amigas . eu estava ficando com um irmão mais velho de uma amiga , ele não morava na cidade , ia pra lá de vez em quando . só que ele queria terminar comigo , pois eu era muito novinha pra ele .
lembro que o barzinho estava fechando , então decidimos ir para uma praçinha que ficava um pouco distante do bar . eu nem pensei em avisar meu pai , achei que não teria problema ir pra lá sem avisar , quando chegamos na praça o tal carinha me chamou pra conversar no seu " fusca " , ele tinha um fusca branco rs
papo vai e papo vem , ele disse que eu era maravilhosa , bonita e blá blá blá , aquele papo ensaiado de homem dando o fora , e eu só escutando eu não conseguia dizer nada , apenas fiquei ouvindo .
eis que ouço minha amiga gritar , que meu pai tinha chegado lá na praça , eu desçi do fusca e vi meu pai parando o carro no meio da rua , desceu e me deu 2 tapas na cara com toda sua força , meus amigos se assustaram e tentaram me defender dele , mas ele estava muito nervoso e os ameaçou . com medo de que ele fizesse algo contra eles , eu pedi pra nos deixarem ir .
entrei no carro do meu pai com muito medo e vergonha do que ele havia feito , ficava imaginando que dor era aquela , da surra , do fora , da vergonha , era um misto de emoções .
meu pai foi me batendo até chegar em casa , quando chegamos eu sai correndo pro quarto da minha mãe , chorando e gritando que ele havia feito eu passar a maior vergonha da minha vida , minha mãe ( pela primeira vez me defendeu ) e entrou na frente , ele quis bater nela também , mas meus irmãos começaram a gritar a chorar .
foi horrível , eu estava muito ferida por dentro , daquela humilhação , do fora que eu havia levado , as marcas no meu braço e a dor do tapa na cara eram de menos , o que mais me machucava eram as palavras do carinha e os gritos do meu pai .
e o por que ? segundo ele por que ele me amava , era assim que ele justificava suas surras , dizia que era por amor , sempre me perguntei sobre esse estranho amor dos homens por mim , a começar pelo meu pai .
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